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Elaboração do orçamento doméstico não é difícil

  Para elaborar um bom orçamento doméstico basta relacionar todos os gastos fixos (mensalidade escolar, prestações da casa, aluguel, condomínio, água, luz, telefone), e também os custos variáveis (passeios com a família, cinema, lazer, até mesmo aquele cafezinho na padaria antes do trabalho). Tudo deve ser registrado, tendo como base as despesas do mês anterior. 

Defina os gastos prioritários. Reúna a família e exponha a real situação, e com a colaboração de todos defina onde a tesoura vai agir.  É necessário evitar todos os gastos supérfluos.

Financiar um carro, por exemplo, será que é fundamental pra você neste momento? Pense bem, pense no custo benefício.  Com um carro você conseguirá realmente aumentar sua renda?  Se a resposta for sim, ótimo vá em frente.  Você deve pensar bem, pois carro sempre foi sinônimo de despesas e não de economia. Além disso, em todo financiamento ou empréstimo incidem a cobrança de juros sobre juros, isso faz com você pague em média até 3 vezes o valor financiado.

O que mais consome atualmente o orçamento familiar são os juros praticados nas compras a prazo pelo comércio, e principalmente pelos bancos, cartões de crédito e financeiras. As pesquisas mostram que 25% da renda familiar vai embora em juros.

Quando os gastos são exagerados as pessoas normalmente começam a se endividar. Estouram o limite do cheque especial e do cartão de crédito, e pior, saem à procura de empréstimos em financeiras. Os juros estão muito salgados. Variam entre 8% e 16% ao mês. Repare que seu salário não está tendo esse reajuste ao ano, então não há renda que agüente.

 
Mas o que faço com as dívidas?

Renegociar é a nova tendência do mercado. Os devedores não podem mais aceitar as imposições feitas por bancos, cartões de crédito, financeiras e pelo comércio em geral, é uma questão de sobrevivência. 

Além dos juros serem elevados, são aplicados de forma composta (juros sobre juros), essa é uma das fórmulas mágicas que os bancos usam para obter lucros recordes todos os anos. 

Em países como Itália e Estados Unidos a cobrança de juro sobre juro é proibida, e respeitada. Nos países mais desenvolvidos os bancos ganham dinheiro buscando aumentar cada vez mais a clientela, e não cobrando juro abusivo.

Já as administradoras de cartão de crédito por exemplo cobram juros que chegam a 14% ao mês de forma composta, sendo que elas não podem cobrar mais do que 1,00 % mês mais a correção monetária.   

Quem pode cobrar juros acima de 1,00% ao mês é banco, e o próprio banco Central, não reconhece as administradoras de cartões como bancos.

Depois que você começou a utilizar o crédito rotativo a primeira coisa a ser feita é brecar as compras.  Experimente ficar só um mês sem utilizar seu cartão de crédito, e sinta a diferença no orçamento.  Não compre enquanto estiver devendo no crédito rotativo.

Caso perceba que não vai conseguir sair do crédito rotativo tão cedo, chegou a hora de renegociar.  Não aceite as propostas que serão enviadas, pois elas já estarão inchadas de juros ilegais e abusivos.

As instituições financeiras (bancos, financeiras) e administradoras de cartão de crédito, costumam ameaçar o devedor dizendo que vão protestar seu nome, ligam para a casa, para o trabalho, vizinho e até para parentes, na tentativa de intimidar a pessoa.

Portanto, pense 10 vezes ou 20 se necessário, antes de aceitar as propostas de acordo oferecidas pelos bancos, mesmos que as parcelas sejam pequenas. Tome cuidado, pois essas propostas de acordos já estão inchadas de juros ilegais e abusivos.  Jamais negocie com escritórios de cobrança. 

Você pode questionar um contrato ou dívida a qualquer momento. É necessário exigir seus direitos antes que seu nome seja mandado para protesto, ou que o banco entre com uma ação judicial. 

Marcelo Fernando
Diretor Presidente