Quando a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea, acreditou-se ser o fim da escravidão, porém a escravidão moderna é tão grotesca, severa, absurda, desumana quanto à imposta aos negros na época da colonização do Brasil. Hoje assistimos a uma transferência de riquezas da população para as instituições financeiras, estão tomando tudo que temos, sem o menor escrúpulo. Aqueles que deveriam nos defender contra essas atrocidades assistem a tudo de camarote, por estão amarrados politicamente ou financeiramente às instituições financeiras. A ABC atende diariamente a inúmeros funcionários públicos municipais, estaduais e federais que estão em estado de desespero, pois eles chegaram a tal ponto que não tem mais para onde correr. Se fosse comparar a situação deles a uma pessoa adoentada, diria que são pacientes que estão na UTI. Nessa matéria falaremos mais especificamente sobre os problemas enfrentados pelos funcionários municipais de São Paulo. Problemas começaram com o BMG Entenda a situação. Na gestão de Marta Suplicy, a mesma firmou "convênio" com o Banco BMG, para oferecer empréstimo consignado aos funcionários municipais. Com a facilidade de obter crédito, cerca de 70% do funcionalismo entrou na onda de empréstimo consignado, e com isso comprometeu 30% de seu salário, e os salários eram recebidos através do Banco Santander, o qual também oferecia empréstimos e limites para atrair os servidores municipais. Detalhe esse banco sempre praticou uma das maiores taxas de juros do mercado, para ter uma idéia quem ultrapassava o limite do cheque especial pagava juros de 19% ao Mês. Consignado foi calculado de forma errada Defendo a tese de que os problemas já começaram aí, pois o BMG calculava a margem para desconto dos empréstimos considerando o salário bruto(salário + benefícios) ao invés de calcular sobre o salário base, ou então, sobre o salário líquido(valor que é creditado na conta corrente). Ocorre que os benefícios concedidos sofrem alterações constantes, e dessa forma o salário varia de um mês para o outro. Ou seja; tem mês que o salário é bem menor, e com o empréstimo consignado já creditado em folha, o cidadão se vê obrigado a pegar outro empréstimo, ou então entrar no limite do cheque especial. A caminho da forca Extremamente endividados com o BMG e Santander, com a mudança de gestão Serra/Kassab, a folha de pagamento municipal foi vendida para o Banco Itaú, o qual percebeu que não conseguiria abraçar a fatia maior do funcionalismo para empréstimos consignados, uma vez que o BMG e Santander haviam chegado primeiro. Diante disso o Itaú passou a oferecer empréstimos com débito automático em conta corrente, e limite de cheque especial, assim, ludibriados pela propaganda indutiva, e pela falta de informação na contratação de empréstimos, e não podendo mais o Itaú ter acesso à descontos diretos no holerite. Conclusão: além de já ter 30% do salário comprometido com o BMG, os funcionários municipais passaram a utilizar as linhas de créditos oferecidas pelo Itaú, e dessa forma acabaram comprometendo 100% do salário. Sem Salário e implorando favores Ao cair o salário em conta o Itaú simplesmente retém o mesmo na sua integralidade, e para passar o mês o cidadão é obrigado a utilizar novamente o limite do cheque especial, ou então implorar ao gerente por um novo empréstimo para poder passar o mês, até o momento em que o que ele ganha não satisfaz mais o banco. O banco está ferindo os princípios da dignidade humana, previstos na constituição. É desumano fazer o que estão fazendo. Isso é vida? Renegociação de dívida Quando o salário deixa de satisfazer o banco, o cidadão é chamado para renegociar sua dívida em 60 meses, momento em que assina sua sentença de morte, sim porque passará cinco anos pagando o banco. Marcelo Fernando Segredo Diretor Presidente/Consultor Financeiro Consultor do Programa Alessandra Scatena(45UHF – Rede Brasil de TV)/ Colunista dos Jornais SP Norte / Revista ZN / Jornal Giro Rápido |