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Não existe nenhuma fórmula ou palavra mágica para sobreviver em tempos de crise. O segredo está no planejamento das finanças de pessoas físicas e jurídicas. Aqueles que não se preparam no decorrer de 2008 para o que teremos à frente, precisarão de muita sorte para sair desse maremoto financeiro sem seqüelas. Estamos entrando numa das maiores tormentas financeiras da história mundial, tanto que só no estado de São Paulo, segundo dados da FIESP divulgados em 26/01/09, as industrias já demitiram no estado 130 mil trabalhadores, fora os empregos indiretos. Nos EUA esse número já atingiu a marca de 2 milhões de demissões.
Uma das medidas do Banco Central para minimizar a crise no país foi a redução da Taxa Selic de 13,75% para 12,75%. Com essa redução o BC esperava que os bancos reduzissem as taxas de juros aos consumidores(PF e PJ). Fazendo uma análise do Spread bancário de Julho a Dezembro do ano passado, observei que os bancos ao perceberem a crise tomando conta de outros países passaram a aumentar o spread(é a diferença entre a taxa de captação e de aplicação, que fica em poder das instituições financeiras. Quanto maior o ''spread'', maior o lucro dos bancos.) Veja abaixo a evolução do spread bancário em 2008, e observe o salto assustador em dezembro.
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Mês |
Spread(%) |
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Julho |
14,5% |
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Agosto |
14,9% |
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Setembro |
14,7% |
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Outubro |
17,5% |
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Novembro |
18,3% |
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Dezembro |
30,6% |
Portanto, podemos observar que a tendência será os bancos aumentarem abruptamente os juros, e assim que está devendo terá sua dívida triplicada em pouco tempo.
O que fazer com as dívidas?
O primeiro passo é planilhar tudo que está devendo. Após verificar a carga de juros que incide sobre cada dívida. Nas compras e pagamentos parcelados, as pessoas pagam mais da metade ou até o dobro do valor original. Após planilhar tudo, parta para a renegociação com os credores, pois a intenção do credor é receber, e nessa renegociação você conseguir mais de 50% de desconto. Dívidas com bancos e cartões de crédito são as que mais possuem juros extorsivos. Caso na consiga desconto, entre com ação judicial e discuta em juízo a redução dos juros e o pagamento parcelado. Tem pessoas que estão devendo horrores, e estão com uma carro na garagem, o qual gera despesas enormes, como IPVA, seguro, fora a manutenção.
Então aja com sabedoria, venda o carro, e após quitar todas as suas dívidas, ai sim você pode comprar outro. Eliminar despesas supérfluas como TV a cabo você pode economizar cerca de R$ 100,00 por mês. Coloque uma antena comum, ou parabólica que não gere ma despesas mensal. Celulares também consomem muito dinheiro, então avalie a real necessidade de ter mais de um.
Portanto com muita cautela livre-se das dívidas aos poucos, e não assuma nada que não poderá cumprir.
Cuidado com as tentações Resistir às tentações do comércio é o ponto crucial nesse processo de reorganização e adequação financeira, não adianta nada comprar determinado produto por causa de uma promoção ou desconto especial, se você está devendo no cheque especial, ou no cartão de crédito. Certamente o desconto oferecido no produto não é maior do que os juros cobrados pelos bancos. A sugestão é ir ao supermercado com uma lista dos produtos que faltam, ao invés de ficar passeando pelos corredores.
Vencendo a crise Somente os precavidos estão preparados para passar pela turbulência que teremos a frente com tranqüilidade. Refiro-me as pessoas que possuem reservas financeiras suficientes para atravessar um período médio 12 meses. Entenda melhor: suponha que para manter a família, você tenha uma despesa mensal de 2 mil. Logo, para manter-se de forma tranqüila por um período de um ano seria necessário uma reserva de 24 mil. Achou muito? Não se você fizer sua reserva de forma programada. Se você recebe 2 mil por mês, abra uma poupança e todo mês tire no mínimo 10% do seu salário(R$ 200,00), deposite e esqueça que esse dinheiro esta lá, mas esqueça mesmo, resista as compras parcelas, as tentações do comércio. Em um ano você já terá reservado R$ 2.400,00 fora os juros da poupança. É assim que se constrói uma finança familiar sólida, aos poucos. Portanto, se hoje você está empregado, passe fazer isso com extrema urgência, basta colocar na ponta do lápis todas as despesas e planejar, sem esforço, certamente você não conseguirá nada. Outro detalhe importante é não fazer compras parceladas, lembre-se parcela é sinônimo de juros. Compre somente a vista.
Consciência de seu padrão socioeconômico Esse é o principal motivo que leva as pessoas ao endividamento, ou seja; querer manter um padrão de vida, um status social, que não condiz com sua realidade econômica. Não estou incitando ninguém à pratica da avareza, e sim ao consumo consciente, ponderado e com reserva financeira suficiente para sobreviver a tempos difíceis e as surpresas que a vida nos reserva. No site da ABC www.ongabc.org.br, o consumidor encontra dicas e exemplos importantes para resolver dívidas com cartões de crédito, cheque especial, financiamentos e empréstimos, além de planilha de orçamento doméstico totalmente gratuitas.
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