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AUMENTO DOS JUROS COMPLICA A VIDA DE EMPRESÁRIOS


 

Com o último aumento da Taxa Básica de Juros (Selic), elevada a 10,75%, o Brasil volta ao seu posto de país com os juros mais altos do mundo.  Então, eu pergunto: se emprestando dinheiro ao governo, qualquer um ganha 10,75% ao ano sem fazer nada, para quê alguém vai querer investir em produção, correndo riscos e podendo até tomar prejuízos? Para ganhar mais que isso, os empresários precisam vender com mais lucro e diminuir despesas (leia-se "empregos" e "qualidade").
           Portanto, esse aumento se trata, sem dúvida, de um incentivo à ciranda financeira, à vagabundice, à especulação e à ganância.   Além de desestimular o investimento na indústria e na agro-pecuária, esse aumento da taxa Selic é uma ótima desculpa para o amento dos juros do cheque especial, cartão de crédito, empréstimos e prestações; prejudicando muito o consumidor.

 

O DRAMA DOS EMPRESÁRIOS EM GERAL
          Os comerciantes, por seu lado, vendem menos e lucram menos. A maioria dos pequenos e  médios varejistas já sofrem há muito tempo com o cartão de crédito: demoram para receber, pagam altas taxas às administradoras de cartões e ainda têm de comprar a maquininha de passar cartão.

Demorando a receber das operadoras de cartões(em média 40 dias), muitos deles têm de recorrer ao seu cheque especial, que come os seus lucros. Alguns ficam até sem capital de giro para manter o estoque e pagar impostos e funcionários.

Passando a utilizar-se do limite do cheque especial os bancos sabiamente fazem com que o comerciante deixe a máquina de cartão de crédito como garantia de pagamento, ou seja, tudo que é vendido no cartão é direcionado primeiramente para pagar os juros bancários e empréstimos, e o que sobrar o comerciante pode utilizar, fazendo assim com que o comerciante fature cada vez menos, afinal 80% dos pagamentos são feitos através de cartões de crédito.

Tenho atendido diariamente comerciantes e empresários nessa desesperadora situação.  Alguns chegam a dar imóvel como garantia aos bancos.  Bem, a forma como os bancos vem conduzindo as dívidas estão sendo entendidas e condenadas como abusivas pelo judiciário.  É mesma coisa de você trabalhar o mês todo, receber seu salário e entregá-lo todinho ao banco para pagar juros, ou seja; o empresário para manter seu negócio é obrigado a ficar constantemente pegando empréstimos, pagos juros, encarecendo seu custo operacional e reduzindo cada vez mais sua margem de lucro, pois se ele elevar o preço de sua mercadoria acaba sendo engolido pela concorrência.

O grande problema é que o empresário somente acorda quando já esta totalmente nas mãos do banco.  A história é a mesma sempre, e começa e termina assim:  Primeiro utiliza o limite do cheque especial(juros médias de 10% ao mês).  Depois de um tempo o gerente aumenta seu limite, e novamente o empresário o utiliza. Vale lembrar que os juros cobrados geralmente não batem, isso mesmo, você já parou para calcular os juros de sua conta corrente algum dia?  Faça o teste.

Depois de estar com sua dívida inflada de juros extorsivos, vem o primeiro empréstimo para compor a dívida do cheque especial(juros médios de 5% ao mês), após a renovação, até o momento em que se pega as vendas do cartão de crédito como garantia, e por último o golpe de misericórdia, para renegociar tudo e oferecer juros de 1,5% ao mês ao comerciante, basta que ele de um imóvel como garantia.  A cada vez que você renegocia, está simplesmente duplicando o valor de sua dívida.  Nossa, como o gerente é seu amigo não?

MARCELO FERNANDO SEGREDO
Diretor Presidente / Consultor Financeiro
 

 

 





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