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A imprensa acaba de nos trazer neste início de maio uma triste notícia : segundo pesquisa do Instituto de Economia Gastão Vidigal, para a Associação Comercial de São Paulo – a maior do país, dobrou no último ano o número de jovens com menos de 20 anos com o nome sujo na praça: em março de 2009, esses inadimplentes juvenis eram 4% do total. Agora, o percentual subiu para 8%.

É a nova geração de endividados chegando.

Com a maioria das pessoas, isso pode acontecer em algum momento da vida; mas não tão cedo assim.

Como podem, pessoas que trabalham há pouco tempo, quase todos sem uma casa ou uma família para sustentar, já terem se tornado inadimplentes ?

São várias as razões e lembro algumas delas, as quais sempre menciono nas diversas palestras que ministro sobre essa problemática em todo o Brasil :   

A 1ª é cultural e quase hereditária : muitos são filhos de endividados contumazes e têm a sua vida completamente desorganizada e fora de controle, como os pais. Muitos não têm ganhos fixos, outros não sabem quanto gastam, e alguns não estão preocupados em manter seu  nome limpo.

A 2ª também é cultural e quase hereditária: muitos jovens querem manter com poucos ganhos a vida anterior, de alto consumo, bancada pela família.

A 3ª é a falta de educação para o consumo. Não têm filtro para avaliar o que já podem comprar ou não, são influenciados pelo que os outros jovens têm e inúmeros sucumbem frente à  propaganda e às facilidades que lhe oferecem.

A 4ª é a sensação do “pode tudo”, tanto própria da idade, como herdada de uma educação com poucos limites.

A todas elas juntam-se a inocência e a falta de experiência de quem nunca viveu a aflição de ser excluído da sociedade por endividamento.

O que podemos esperar do futuro de alguém que já tem o nome sujo na praça antes dos 20 anos ? Uma de duas coisas : ou ele já vai aprender agora o que não deve fazer e, assim, tornar-se futuramente um consumidor consciente; ou já começa agora uma longa e sofrida vida de devedor “ad eternum”.

Esse dado da ACSP deve servir para chamar a atenção de todos para essa doença social chamada endividamento crônico. Doença sim, porque 70% dos brasileiros vivem esse drama por algum período de cada ano, com amargas conseqüências pessoais, familiares e sociais; além dos graves prejuízos que geram para as empresas e credores.

O que se pode esperar do futuro de uma sociedade na qual 8% de quem ainda nem tem 20 anos já é endividado ? Qual a consistência do progresso econômico dessa sociedade ?

Talvez tenhamos descoberto a origem dessa doença, que  não pode ser ignorada e que comparo com outras, como o desemprego, a proliferação das drogas, a falta de educação, a ausência de comprometimento e a sub-cidadania.

Já há anos, a Associação Brasileira do Consumidor alerta para o fenômeno do

devedor hereditário.

           Diante da pesquisa, o economista Emilio Alfieri, da ACSP, sabiamente recomenda aos jovens o “consumo com moderação”; mas isso é muito pouco.

Creio que é preciso que façamos muito mais: talvez um pacto social determinado a desviar nossos jovens desse triste caminho da exclusão social a que o endividamento leva.

 

           Enquanto espera por esse necessário momento, a Associação Brasileira do Consumidor (ONG ABC) transmite algumas dicas aos pais, para que a educação financeira já comece em casa:

 

-A educação para o lidar com o dinheiro começa cedo. A criança deve saber que nada é de graça e que cada família tem seus limites.

-Ensine-a a economizar dando-lhe um cofrinho para guardar moedas diariamente e verifique de vez em quando com ela a evolução da economia.Estimule-a a pensar em algo que deseja muito, que o dinheiro guardado servirá para comprar.

-Estabeleça limites em passeios e presentes, delineando claramente o poder aquisitivo da família; mas também mostrando que há muita coisa gratificante a se fazer mediante gastos moderados ou até de graça.

-Ensine-a a conservar os brinquedos, roupas, material escolar e outros ítens de seu uso pessoal, e a valorizar tudo o que tem.

-Quando a criança já souber fazer contas básicas, comece a mostrar a relação entre dinheiro e as contas.

-Vá sempre lembrando sobre economia de energia, água, telefone e desestimule o desperdício.

-Na adolescência, ensine-o sobre as diferenças financeiras entre as famílias, para que ele entenda que entre os seus colegas há os mais pobre e os mais abastados.

-A partir daí, deixe transparentes as contas e gastos da família e explique quais são as prioridades de cada fase.

-Induza-o a perceber que para passeios, viagens e compras, é necessário reservar-se o respectivo dinheiro. Ensine-o que cada aquisição importante deve ser planejada. 

-Faça com que a família saiba mensalmente como vão as contas e quais são os planos. Peça sempre a colaboração de todos para o alcance das metas.

-Acima de tudo, dê o exemplo quanto ao comedimento, mostre que planeja e procure valorizar junto com a família cada nova conquista.

  

Marcelo Segredo – fundador e presidente da Associação Brasileira do Consumidor, Consultor, Planejador e Educador Financeiro para pessoas físicas e jurídicas há 10 anos, especialista em organização e recuperação de finanças pessoais e corporativas, Palestrante e Instrutor, Cordenador de Assessoramentos de longo prazo, Analista de viabilidade para negócios.






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