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Porque os juros não baixam?


No início de abril/2009 o presidente do Banco do Brasil foi exonerado de seu cargo pelo presidente Lula, e substituído por outro que tem a função de reduzir os juros nos produtos bancários, estimulando assim o crédito no país, como também forçando os bancos privados a baixarem suas taxas de juros.  A resposta a essa mudança no mercado financeiro foi imediata, pois no dia seguinte o BB teve redução de 8,15% em suas ações na bolsa de valores.  Ou seja; o mercado financeiro já começa a pressionar para que os altos juros sejam mantidos, e esse discurso de que os juros vão reduzir é pura ilusão.  Vamos às provas, antes porém vamos esclarecer duas definições para que não pairem dúvidas ao amigo leitor:


Taxa Selic: É a taxa que reflete o custo do dinheiro para empréstimos bancários, com base na remuneração dos títulos públicos. Também é conhecida como taxa média do over que regula diariamente as operações interbancárias.Vamos aos dados colhidos e analisados:  
Em 10/2008 quando da explosão da crise mundial a Taxa Selic estava em 13,75% ao ano representando 1,10% ao mês, ocasião em que alguns bancos e cartões de crédito cobravam juros mensais de 13,75%, representando 782,73% ao ano.   A partir de então o governo federal passou a reduzir a Taxa Selic, mês a mês.  O relatório divulgado pelo Banco Central em 04/2010, mostra a Taxa Selic estipulada em 8,75% ao ano.   
Então diante disso devemos estar otimistas, afinal se
a taxa Selic está diminuindo mês a mês, o Spread Bancário também está, e consequentemente os juros que pagamos também.  Deveria ser assim porém...

  

O que é Spread Bancário?
é a diferença de quanto o banco paga de juros para sua aplicação (ou seja, na captação do dinheiro para as contas deles) e quanto ele cobra do crédito que você
pega emprestadoOu seja, quanto maior o Spread, maior o lucro do banco.   Observe que os bancos atribuem sempre o aumento do Spread dada a alta inadimplência de mercado.

 

 

Inadimplência reduzida no cheque especial


Agora observe gráfico apresentado pela FEBRABAN sobre a inadimplência no cheque especial em fevereiro de 2010.   A entidade mostra uma redução significativa da inadimplência, porém os juros bancários e o spread, continuam subindo, dificultando ainda mais a vida dos inadimplentes.  

 

 


 

 

 

 

 

 

 

A Evolução do Spread bancário no Brasil
Observe no gráfico que o Spread bancário teve grande aumento quando do estouro da crise mundial em setembro de 2008. Mantendo-se extremamente alto durante todo o período decorrido entre setembro de 2008 até fevereiro de 2010 onde atingiu a marca de 30,5%.   Ou seja, de nada adianta o banco central reduzir a Selic, como também mesmo reduzindo a inadimplência, o Spread bancário continua subindo, aumentando assim o lucro dos bancos.

 

 

 

 

Taxas Médias praticadas no mercado – fonte BACEN 04/2010
Pesquisei junto ao Banco Central do Brasil as taxas médias de juros praticadas pelos principais bancos no cheque especial.  Observe a diferença gritante entre os juros cobrados dos consumidores e a taxa Selic.

 

Abaixo Nota a Imprensa 03/2009 – Banco Central do Brasil – Evolução dos juros 12/2007 à 09/2009
Nessa tabela elaborada pelo próprio Banco Central demonstrando a evolução dos juros entre dezembro de 2007 à setembro de 2009, observa-se que a redução dos juros são insignificantes se comparados com a redução da taxa Selic.

Analisando as informações
Acredito que agora as coisas ficaram bem mais claras para o amigo leitor, pois os gráficos e tabelas extraídos do Banco Central e da FEBRABAN demonstram que mesmo com a redução da Taxa Selic, os juros finais ao consumidor praticamente não reduziram, pelo contrário, temos bancos e cartões de crédito praticando taxas de 19% ao mês.      Portanto, o consumidor que possuir hoje uma dívida bancária precisa colocar o pé no freio, reduzir despesas, reorganizar-se financeiramente, e buscar por acordos para sanear suas dívidas.  Lembre-se que a palavra “acordo”, quer dizer que tanto banco como consumidores devem ser flexíveis na negociação, ou seja; somente faça acordo se o banco reduzir a dívida, e se a parcela couber no seu bolso, caso contrário, é direito do consumidor recorrer ao judiciário buscando a revisão da dívida.  Essas verdadeiras atrocidades econômicas se devidamente demonstradas ao judiciário surtem efeito beneficiando os endividados.

Contato:

MARCELO FERNANDO SEGREDO
Diretor Presidente
Associação Brasileira do Consumidor-ABC
Consultor Financeiro / Colunista de Defesa do Consumidor Jornal SP Norte | Revista ZN | Jornal Giro Rápido 
Tel: (11) 3564-3829 / 2950-4926 / 2971-1971 / Nextel ID 55*11*40.491 / MSN: marcelosegredo@hotmail.com
Av. Cruzeiro do Sul, 3.153-Conj.62-Mêtro Santana-CEP 02031-200

Veja o vídeo A Defesa do Consumidor no Brasil
Acesse o site www.ongabc.org.br

 

 

 





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Quando da utilização do material supra em publicações jornalísticas, sites, trabalhos acadêmicos, petições judiciais e afins, deve ser feita a seguinte referência: "Extraído de www.ongabc.org.br." .

 
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