|
Retrospectiva financeira 2009 “A espera de um milagre”
Final de ano sempre é tempo de retrospectiva, e como especialista na defesa do consumidor bancário à doze anos, pesquisei e elaborei a retrospectiva financeira do setor bancário em 2009. A conclusão das pesquisas simplesmente confirmou mais uma vez o que eu já sabia. Afirmo sem a menor sombra de dúvidas e com conhecimento de causa que pagamos os juros mais caros do mundo, e as afirmações de que o governo está lutando para reduzir os juros no país a fim de reativar a economia não passa de blasfêmia, enganação. Vamos às provas, antes porém vamos esclarecer duas definições para que não pairem dúvidas ao amigo leitor:
Taxa Selic: É a taxa que reflete o custo do dinheiro para empréstimos bancários, com base na remuneração dos títulos públicos. Também é conhecida como taxa média do over que regula diariamente as operações interbancárias.
Vamos aos dados colhidos e analisados: Em 10/2008 quando da explosão da crise mundial a Taxa Selic estava em 13,75% ao ano representando 1,10% ao mês, ocasião em que alguns bancos e cartões de crédito cobravam juros mensais de 13,75% , representando 369,26% ao ano. A partir de então o governo federal passou a reduzir a Taxa Selic, mês a mês. O relatório divulgado pelo Banco Central em 11/2009, mostra a Taxa Selic estipulada em 8,75% ao ano. Então diante disso devemos estar otimistas afinal se a taxa Selic está diminuindo mês a mês, o Spread Bancário também está, e consequentemente os juros que pagamos também. Deveria ser assim porém...

Evolução do Spread Bancário Spread: é a diferença de quanto o banco paga de juros para sua aplicação (ou seja, na captação do dinheiro para as contas deles) e quanto ele cobra do crédito que você pega emprestado. Ou seja, quanto maior o Spread, maior o lucro do banco.

E para finalizar a pesquisa veja o interessante comparativo da evolução dos juros divulgado pelo próprio Banco Central detalhando as taxas médias cobradas de Dezembro de 2007 à Setembro de 2009.
Banco Central - 27.10.2009 – Nota para Imprensa
|
mês |
cheque especial % ao mês |
crédito pessoal % ao mês |
consignado % ao mês |
|
dez/07 |
7,50% |
3,19% |
2,08% |
|
dez/08 |
8,79% |
4,02% |
2,26% |
|
jul/09 |
8,54% |
3,13% |
2,08% |
|
ago/09 |
8,32% |
3,10% |
2,05% |
|
set/09 |
8,38% |
3,13% |
2,02% |
Observe que praticamente não houve redução, não que fosse significativa para quem está com dívidas no cheque especial e no cartão de crédito. Em outubro 2009 alguns bancos estavam cobrando 22% para quem estava usando acima do limite.
Portanto, está muito claro quem é que dita os juros no país, e que o Banco Central tem mero papel figurativo, e que principalmente não podemos ficar “À espera de um milagre”, principalmente aqueles que encerram o ano no vermelho. Diante de tudo que acabamos de detalhar, fica fácil entendermos porque os bancos são tão inflexíveis nas negociações de dívidas, e porque somente no judiciário o consumidor tem alguma chance de buscar redução de juros e adequação de dívidas ao seu real orçamento mensal. Sem dúvida cada vez mais consumidores e advogados devem se preparar cada vez mais para que consigam vencer essa verdadeira batalha. No ano de 2009 conseguimos vitórias importantíssimas no judiciário em prol dos consumidores.
E a previsão para 2010, bem para o primeiro trimestre, os bancos realmente não reduzirão taxas, uma vez que nesse período o dinheiro simplesmente some do mercado, ninguém compra nada, e inicia-se uma grande onda de desemprego. Essa também é a época em que os bancos mais pressionam os devedores com cobranças extrajudiciais e judiciais. Portanto amigo consumidor, não espere por um milagre, corra traz de seus direitos.
Marcelo Fernando Segredo Diretor Presidente/Consultor Financeiro Consultor do Programa Alessandra Scatena(45UHF – Rede Brasil de TV)/ Colunista dos Jornais SP Norte / Revista ZN / Jornal Giro Rápido / Notícias da Comunidade |