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Cartão de crédito deve ser usado com cautela para pagamento das compras natalinas


Quarta-feira, 21 de Dezembro de 2005

 

Cartão de crédito deve ser usado com
cautela para pagamento das compras natalinas

O aumento de estabelecimentos que aceitam pagamento com cartões é um dos fatores que favorece o bom desempenho do setorDa Redação

A ONG ABC – Associação Brasileira do Consumidor – alerta quanto ao pagamento das compras realizadas em épocas festivas como o Natal. Segundo a Associação, em 1998 havia subido a média de uma família quanto ao uso do cartão era de 2,5%. Quase meio século depois, se o uso continuar aumentando as famílias têm grandes chances de passar o ano inteiro pagando as compras de Natal.
O diretor presidente da ABC, Marcelo Fernando, disse, em entrevista ao JOTAÍ – Diário, que o cliente não pode chegar a pagar o mínimo, ou seja, entrar no pagamento de crédito rotativo. O que piora a situação é que janeiro, mês em que as cobranças de final de ano começam a chegar, é o mês de pagar impostos como IPVA, IPTU, de pagar matrícula escolar, além do habitual como água, força, aluguel e demais gastos.

IDEAL

“O ideal seria que, logo ao receber o 13º, o consumidor quitasse suas dívidas para depois fazer novas contas”, mas não é o que acontece, segundo Marcelo.
Se não for feita com antecedência uma programação financeira, o consumidor poderá cair no crédito rotativo e aí que mora o perigo. O crédito rotativo cobra os juros de forma composta, ou seja, juros sobre juros. O mesmo pode ser aplicado a compras realizadas com carnês de prestações como oferecidos nos grandes magazines.
Marcelo sugere: “Não gaste com compras mais do que 30% do seu salário”. Ele diz que com a folga de 70% do orçamento a pessoa não precisa se desesperar pois não estará comprometendo os demais gastos.

DÍVIDAS

O cliente deve mostrar interesse em quitar as dívidas do cartão antes que a administradora entre com o pedido de cobrança. “As chances de acordo entre ambas as partes é bem maior”, afirma Marcelo.
O fato de deixar de pagar alguma conta é desfavorável para a imagem do consumidor. Com a demonstração de interesse pode ser observada a intenção que o cliente tem de pagar a conta, mesmo que não seja no momento antes prometido, e sim em data a ser discutida.

ACORDO

Com essa iniciativa o cliente é poupado das cobranças feitas pelas administradoras de cartão de crédito que utilizam serviços de telemarketing para fazer cobranças no fim do ano, época do 13º.
Feito o acordo com o credor, o nome do devedor que estiver nos cadastros de restrição ao crédito, como SPC e Serasa, deverá ser excluído, independente da dívida estar ou não totalmente paga.

CONTROLE

A ONG diz que são de grande importância orientações sobre o uso de cartões que deve ser cuidadoso. Para que as cobranças não ocorram o consumidor deve programar o seu orçamento e controlar os gastos, principalmente no parcelamento das compras.
O comprador deve estar atento aos valores cobrados em que são proibidas as diferenças para quem paga com cartão e quem paga com dinheiro e cheque. O lojista que executar esta prática ilegal deve ser denunciado ao Procon.

SUBSTITUIÇÃO

Um estudo, divulgado pela Credicard, Indicadores do Mercado de Meios Eletrônicos de Pagamento, mostra que o faturamento cresceu 26,7% com relação a dezembro do ano passado. O crescimento é resultado do aumento do número de estabelecimentos credenciados no interior e a substituição pelo cheque e pela cédula.
O uso é o maior dos últimos 10 anos em pontos porcentuais e resulta no melhor desempenho dos últimos seis anos, pois o faturamento do setor deve chegar a R$ 14,5 bilhões no mês.

CIRCULAÇÃO

O número de transações deste mês poderá ser de 157,3 milhões, resultando na média de 3.500 a cada minuto. O mercado, no entanto, será impulsionado com a adesão do uso do cartão pela população de baixa renda, segundo Fernando Chacon, diretor-executivo de Marketing da Credicard.
Em 2006, a estimativa, noticiada pela Agência Estado, é de que a participação dos cartões no consumo privado atinja 13,2%. Até o final do ano serão 66 milhões de cartões em circulação no País.
“Se todos os cuidados forem tomados, não há porque negar que a o cartão é uma ótima ferramenta de compra”, finaliza Marcelo.